Os contos de origem popular do autor italiano Giovanni Bocaccio foram a fonte de inspiração para a composição de ‘Decamerão – A Comédia do Sexo’. A série conta a história de três casamentos, em uma mistura de comédia, drama e romance. Jorge Furtado, Guel Arraes, Carlos Gerbase e Adriana Falcão construíram o roteiro dos quatro episódios, todos escritos em versos. Com direção de Ana Luiza Azevedo e Furtado, que assina a direção geral e o texto final, o programa tem estreia prevista para sexta-feira, dia 31 de julho, depois do ‘Globo Repórter’. “A dramaturgia é uma aeróbica para a alma. Você se apaixona, chora, sofre e ri”, conta Furtado. Em ‘Decamerão – A Comédia do Sexo’, todas estas variáveis são possíveis.
Tofano, Monna e Masetto Monna (Deborah Secco) é uma criada que, para herdar a fortuna de seu ex-patrão Spininellochio (Tonico Pereira), se casa com seu filho, Tofano (Matheus Nachtergaele). Após consumarem o matrimônio, o rapaz cai de amores pela moça. Já ela, no entanto, não consegue esconder que tem sentimentos por outra pessoa, o padre Masetto (Lázaro Ramos). Ela se culpa por não conseguir parar de sonhar com o pároco, e resolve se confessar.
No confessionário, uma surpresa: Masetto revela que não é padre. Ele conta para Monna como conseguiu a batina e diz que seus sentimentos são recíprocos. Os dois embarcam, então, em um grande romance às escondidas. Todos os dias, Monna sai de casa para “se confessar”. Na igreja, encontra Masetto, com quem vive uma intensa paixão.
Tofano percebe a agitação de Monna e começa a cultivar um ciúme doentio. Ele enlouquece pensando em maneiras de testar a fidelidade da esposa, enquanto ela se utiliza de artimanhas para burlar as armadilhas do marido. Quanto mais Tofano faz para prender Monna, mas ele a perde.
Calandrino e Tessa Calandrino (Edmilson Barros) e Tessa (Drica Moraes) são perdidamente apaixonados um pelo outro. Os criados de Tofano vivem se elogiando e o fogo entre o casal não acaba nunca, ao contrário do dinheiro, que se vai sempre antes do fim do mês. São cúmplices no amor, e também na vida. Juntos, realizam mil e uma espertezas para conseguirem o que querem. Com um jeito malandro, não se cansam de repetir que “para tudo existe um jeito. Para tudo, menos para a morte”.
Filipinho, Isabel e Belisa Filipinho (Daniel de Oliveira) também tem muito amor pela esposa Isabel (Leandra Leal), mas a lealdade não é seu ponto forte. O comerciante não resiste aos encantos de uma bela donzela, principalmente se a moça é Belisa (Fernanda de Freitas), prima de sua mulher.
Belisa vem da França para visitar o casal e logo atrai os olhares de Filipinho. Isabel percebe o clima entre os dois e não consegue conter seu ciúme. Isso não quer dizer, porém, que também seja santa. Isabel sabe que seu casamento esfriou e sente falta de uma aventura mais quente. Vive perturbada por sonhos nada castos que tem com Masetto (Lázaro Ramos) e, sem muito pudor, não hesita em dar atenção para o Tenente (Felipe de Paula).
As locações A Serra Gaúcha é o cenário destas histórias, uma co-produção da Rede Globo com a Casa de Cinema de Porto Alegre. A produtora executiva Nora Goulart e a diretora Ana Luíza Azevedo foram as responsáveis pela escolha das locações nas cidades de Farroupilha e Garibaldi, no Rio Grande do Sul. “O que tem de mais interessante no Brasil é a diversidade cultural. A co-produção permite esta variedade. Vamos mostrar na série um ambiente lindíssimo, dos parreirais gaúchos”, conta Jorge Furtado. “A locação para mim é quase um personagem. Gosto de filmar em externas porque, para qualquer lugar que você vire a câmera, há um cenário deslumbrante”, completa.
Em um ambiente que remete à imigração italiana do século XIX, as gravações foram todas feitas em casas de pedra e madeira de 1800. A primeira locação, onde estão a casa de Tofano e de seus criados, foi a Vila Jansen, um distrito de Farroupilha que abriga um dos ponto turístico do local, o Caminho das Pedras. A segunda locação foi em Garibaldi, dentro de um sítio de descendentes de colonos italianos, que está sendo projetado para se transformar em um museu iconográfico do século XIX. Lá, foram feitas cenas no comércio de Filipinho, na ferraria, na igreja de Masetto, na lagoa e no riacho. “Estávamos procurando locações com casas de pedra e acabamos encontrando estes dois sítios. Foi um verdadeiro achado, porque estes lugares são mágicos”, conta Nora Goulart.
O figurino Segundo Furtado, no entanto, embora todo o cenário remeta ao século XIX, não há em ‘Decamerão – A Comédia do Sexo’ um compromisso de fidelidade a uma época. O mesmo acontece com o figurino da série. Os trajes de Monna, Isabel e Belisa, por exemplo, são compostos por espartilhos e vestidos longos, mas não representam uma época específica. “A história não se passa em um período definido, então, nós inventamos esta antiguidade”, explica a figurinista Rô Cortinhas.
ENTREVISTA COM JORGE FURTADOComo escritor, roteirista e diretor, Jorge Furtado coleciona trabalhos memoráveis na televisão, teatro e cinema brasileiros.
Na televisão, escreveu ou dirigiu sucessos como ‘Agosto’, ‘Memorial de Maria Moura’, ‘Comédias da Vida Privada’, Brasil Especial’, ‘A Vida ao Vivo’, ‘Luna Caliente’, ‘A Invenção do Brasil’, Os Normais’, ‘Cena Aberta, ‘Cidade dos Homens’, ‘Sexo Oposto’, ‘Bicho Homem’ e ‘Um dos Três’.
Para o teatro, escreveu adaptações de ‘Alice no País das Maravilhas’, ‘Lisbela e o Prisioneiro’ e ‘Pedro Malazarte’.
Como diretor ou roteirista, seus principais trabalhos para o cinema são ‘Saneamento Básico’, ‘Houve Uma Vez Dois Verões’, ‘Meu Tio Matou um Cara’, ‘O Homem que Copiava’, ‘Lisbela e o Prisioneiro’, ‘Romance’, ‘O Coronal e o Lobisomem’, ‘Benjamin’ e ‘Caramuru, a Invenção do Brasil’.
Agora, Jorge Furtado inova, escrevendo e dirigindo seu primeiro roteiro em versos, na série ‘Decamerão – A Comédia do Sexo’.
Como surgiu a idéia da série ‘Decamerão – A Comédia o Sexo’? Jorge Furtado: O Decamerão (de Boccaccio) é uma referência fundamental, uma incrível coletânea de boas histórias, engraçadas, sensuais e muito populares. Há tempo que eu e o Guel (Arraes) pensamos em adaptá-las. O que nos motivou agora foi o desafio de fazer o roteiro em versos e a possibilidade de reunir este grupo de atores.
Escrever e dirigir um roteiro em versos requer cuidados específicos? Furtado: Sim, é uma novidade. São raros os casos de teledramaturgia em versos, apesar da grande tradição brasileira de poesia popular, na música, na literatura de cordel, nos versos de trovadores e repentistas. É um desafio para os roteiristas e também para os atores, fazer fluir com naturalidade os diálogos, com rima e métrica precisas. Não há espaço para improvisos nas falas, mas os atores (talvez até por isso mesmo) criam muito nos gestos e na interpretação.
Como foi feita a escolha das locações no Rio Grande do Sul? Furtado: As histórias se passam no tempo e lugar da fábula - Há muito tempo, num lugar distante...- , não é uma época ou um país que exista. O que vale é a imaginação e a história. Os cenários que escolhemos na Serra Gaúcha, no interior dos municípios de Garibaldi (distrito de Santo Alexandre) e Farroupilha (Linha Jansen) são perfeitos para isso, além de muito bonitos, com montanhas verdes, florestas multicoloridas, riachos e paisagens exuberantes. Você espera a qualquer momento a passagem da Branca de Neve, do Asterix ou do Coelho Branco. (Risos).
Como se deu a escolha do elenco? Furtado: A mistura de romance, drama e comédia exigia, além de ótimos atores, comediantes experientes. O texto foi escrito para estes atores, uma seleção de craques. A única dificuldade foi conciliar a agenda de todos, reunir tantos talentos por tanto tempo. Felizmente deu certo.
Como será a trilha sonora? Furtado: Só com músicas brasileiras, e aqui também vale a mistura, clássicas e modernas: Patápio Silva, Nelson Cavaquinho, Caetano Veloso, Chiquinha Gonzaga, Carlinhos Brown, Marisa Monte, Jorge Mautner, Tom Zé, Chico Buarque, Noel Rosa, Cassia Eller, Jussara Silveira, Jovelina Pérola Negra, João Pernambuco... Só coisa boa! E há também o lançamento de uma cantora, Ana Maria Mainieri, cantando um clássico de Nelson Cavaquinho, “Devia ser condenada”.
OS PERSONAGENSTofano (Matheus Nachtergaele): É filho de Spininellochio (Tonico Pereira). É obrigado a se casar com Monna (Deborah Secco) para receber a herança de seu pai, uma vinícola. Apesar de manter o encantamento que já tinha por Isabel (Leandra Leal), apaixona-se perdidamente pela mulher, de quem sente muito ciúmes. “Tive um prazer enorme de voltar a atuar, depois de dirigir ‘A Festa da Menina Morta’. Tenho sorte de estar sempre sendo convidado para fazer trabalhos bacanas”, diz o ator Matheus Nachtergaele.
Monna (Deborah Secco): É ex-criada de Spininellochio (Tonico Pereira). Casa-se com o filho de seu patrão, Tofano (Matheus Nachtergaele), para ter direito à herança. Não consegue esconder, no entanto, o sentimento que tem por Maseto (Lázaro Ramos), com quem trai o marido. “Acho que todo mundo tem um lado oportunista e o lado do amor. A Monna, apesar de ter se casado com Tofano, acredita na paixão”, explica a atriz Deborah Secco. “Este é meu terceiro trabalho com o Jorge Furtado. Ele é uma das pessoas mais inteligentes que já conheci e a série tem uma poesia que é própria dele, diferente”, conta.
Masetto (Lázaro Ramos): É um falso padre. Pega a batina de um verdadeiro padre, após ser destratado pelo pároco. Assim que isso acontece, ele, com trajes de religioso, é obrigado a realizar um velório e um casamento. Uma mentira leva a outra e Masetto assume a farsa, passando a viver na paróquia. A primeira pessoa a descobrir seu segredo é Monna (Deborah Secco), com quem mantém um caso. “No início tive dificuldades para decorar o texto, porque não podemos mudar nem um pouquinho. Mas depois ficou mais fácil, pois as rimas nos ajudam a lembrar a próxima frase”, contou o ator Lázaro Ramos.
Tessa (Drica Moraes): É criada de Tofano (Matheus Nachtergaele) e casada com Calandrino (Edmilson Barros). Está sempre em meio a encrencas, fazendo planos e realizando malandragens para conseguir o melhor para si. Confidente de Monna (Deborah Secco), ela ajuda a patroa para que o marido nada descubra sobre seu romance escondido. “Trabalhar com um texto deste quilate é incrível. O trabalho é espirituoso e uma verdadeira matemática. Um texto todo rimado faz com que a gente possa evocar e brincar com os nossos palhaços. É simples e ao mesmo tempo arriscado. Na rima, não se pode errar e este é o desafio. Quando se erra, dói nos ouvidos”, diz a atriz Drica Moraes.
Calandrino (Edmilson Barros): É criado de Tofano (Matheus Nachtergaele) e casado com Tessa (Drica Moraes). Assim como a esposa, é malandro e faz de tudo para se dar bem. Os dois têm uma personalidade muito parecida, talvez por isso sejam cúmplices no amor e nos planos. É apaixonado por Tessa e está sempre lhe tecendo elogios. “É maravilhoso interpretar o Calandrino. Ele é divertido, um verdadeiro malandro. Como não podemos colocar cacos nas falas, comecei a fazer grunhidos muito engraçados”, diz o ator Edmilson Barros.
Filipinho (Daniel de Oliveira): É casado com Isabel (Leandra Leal). É apaixonado pela mulher, mas não é fiel ao casamento. Não resiste aos encantos de uma saia. É dono de uma mercearia, onde trabalha diariamente. “Trabalhar com o Jorge Furtado e sua equipe e contracenar com os atores de Decamerão é uma grande diversão, além do prazer de dividir informações, principalmente sobre cultura, com todos esses profissionais. A série é uma forma de entretenimento inteligente. Foi ótimo voltar a Bento Gonçalves para as gravações de mais quatro capítulos de Decamerão. É sempre muito bom rever as pessoas e fazer parte de um trabalho bem filmado e com um texto enriquecido, rimado, em forma de versos”, diz o ator Daniel de Oliveira.
Isabel (Leandra Leal): É casada com Filipinho (Daniel de Oliveira). É discreta e tímida. Gosta do marido, mas acha que o casamento está esfriando e sente falta de relações mais palpitantes. “Há algumas coisas que tornam esse trabalho muito especial: gravar num lugar distante de nossas casas e trabalhar com a equipe da Casa de Cinema de Porto Alegre. O Jorge (Furtado) é genial e nos apresentou um texto em verso! É claro que no começo é bem difícil, mas, depois, quando a gente se acostuma e pega o ritmo, tudo fica muito divertido e, então, a gente conclui que não daria para ser de forma diferente. Aliás, a gente se diverte muito, pois o Jorge consegue reunir profissionais muito bacanas”, diz a atriz Leandra Leal.
Belisa (Fernanda de Freitas): É uma prima francesa de Isabel (Leandra Leal). Vai visitar a parente e, durante sua estada, chama a atenção de Filipinho (Daniel de Oliveira). “Para compor a personagem, li um livro, presente do Jorge Furtado, ‘Uma Parisiense no Brasil’. Também fiz aulas com fonoaudiólogo e gravei minhas aulas de balé, para observar melhor meu professor, que é francês. Foi um imenso prazer ser dirigida pelo Jorge, tanto quanto dar vida a seu texto. Também não sei como citar minha felicidade em contracenar com atores que eu admiro tanto”, conta a atriz Fernanda de Freitas.
Fonte : ADTV
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